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MONITORAMENTO DE USO DE MICROS É LEGAL, DIZ ESPECIALISTA

Monitoramento de uso de
micros é legal, diz especialista
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Fonte: Estado de S.Paulo
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Empresas têm direito, segundo a lei, de vigiar e-mails e acesso a sites durante expediente
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Rafael Sigollo
ESPECIAL PARA O ESTADO
Os funcionários se acostumaram
com as câmeras por todos
os lados e nem se lembram que são constantemente observados.
Mas elas não são a única
ferramenta das empresas para
controlar e vigiar o que acontece
em suas instalações.
O monitoramento do uso de
computadores, principalmente
o conteúdo dos e-mails trocados
durante o expediente, é cada
vez mais comum e pode acabar
em demissão e ações judiciaismovidasporambasaspartes.
De acordo com o advogado,
mestre em direito e professor
de Direito do Trabalho na Puc- Paraná,HélioGomesCoelhoJúnior,
oempregado,enquantocidadão,
deve ter protegida sua
intimidade e vida privada.
Mas a empresa, enquanto
empregadora,podedirigiredeterminar
a prestação de serviços
de quem assalaria.
“O e-mail corporativo, cedidoacadaempregado, é uma ferramenta
de trabalho e passível
de ter seu uso fiscalizado e observado.
O recomendado é que
cada empresa avise o funcionário
sobre sua política por escrito,
demodoprévio, cuidandode
obter sua assinatura no documento
respectivo”, explica.
O advogado afirma que as
empresas que agem dessa maneira
conseguem se defender
com facilidade caso haja algumaação
na Justiça.
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PESSOAL
Coelho Júnior ressalta, porém,
que o e-mail pessoal (webmail)
não pode ser “invadido” pela
empresa, mas ela tem todo o direitodenãopermitirseuusodurante
o horário de trabalho.
Alémdo monitoramento das
ações realizadas no computador,
o bloqueio de determinados
sites e programas que não
têm relação direta com a função
é prática comum nas companhias.
Opróprioespecialistausatodosessesrecursosemseuescritório,
tanto para evitar o vazamentodeinformaçõesconfidenciais
quanto para aumentar a
produtividade. “Assim também
aproveito para desdizer a
regra de que ‘em casa de ferreiro,
o espeto é de pau’”, brinca.
O diretor de Tecnologia da
marcade roupasViaVeneto,Ricardo
Popescu, também acha
importante controlar os acessos
dos cerca de 300 funcionários
da companhia que trabalham
usando computadores.
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“Como a internet é uma ferramenta
de trabalho indispensável,
tomamos o cuidado de liberar para cada departamento,
como fiscal, jurídico e RH, apenas
os sites relacionados com
suas atividades”, revela.
Ricardo afirma que os
e-mails corporativos também
são monitorados, mas não necessariamente
no conteúdo.
“Existe um filtro que bloqueia
mensagens com arquivos executáveis,
imagens e outras coisas
que podem conter vírus”,
diz. De qualquer maneira, ele
enfatizaquetodasascorrespondências
trocadas via computadorsãorastreadas
earmazenadas
para consulta, caso ocorra
algum problema.
Comoo uso dessa tecnologia
na Via Veneto é mais focada
mesmo para a questão da produtividade,
odiretordetecnologia
ainda não teve nenhuma
ocorrência mais séria.Mas elas
existem.
CAUTELA
O especialista em segurança da
informação e perito em crimes
digitaisWandersonCastilho,diretor
da E-NetSecurity Solutions,
instala o sistema que monitora os computadorese investiga
possíveis suspeitas de crimesvirtuais
cometidos por empregados
das empresas que
contratam seus serviços.
“Agora mesmo estou cuidando
do caso de uma funcionária
com 11 anos de casa, grávida de
8meses, e que todo mês desvia
pequenas quantias de dinheiro
da empresa. A soma total já é
bastante expressiva”, revela.
Em casos como esse, ele conta com todo
o amparo legal e judicial
para realizar seu trabalho
sem que o funcionário desconfie que está sendo monitorado.
“Tudo fica registrado e é
possível recuperar qualquer
dado, mesmo os excluídos e
formatados”, garante.
Castilho explica que existemdiversasmaneirasdemonitorarumarededecomputadores,
como softwares que tiram
“fotos” da tela (print
screen) a cada cinco segundos,
por exemplo,e as armazenam
em um banco de dados.
“Em média, para uma rede
com 20 máquinas gasta se hoje cerca deR$
7mil para
instalar todo o sistema no
servidor”, afirma.
Para o funcionário, vale o
bom senso. “É fundamental
que se use a internet com a
máxima cautela no local de
trabalho, buscando preservar-se de situações constrangedoras”,
aconselha o advogado
Luiz Gustavo da Silveira,
que coordena a área de
Direito da Informática em
um escritório de Belo Horizonte.
Para as empresas, Silveira
faz coro com Coelho Jr.
“Os empregadores devem
deixar todos informados de
forma clara, preferencialmente
por escrito, sobre as
políticas emrelação o uso da
internet”.
A empresa, diz ele, “compra”
o tempo do funcionário
e fornece os equipamentos e
as ferramentas para que ele
possa trabalhar a favor dela.
“Por isso, mesmo se tiver
acesso liberado, não cometa
abusos”, aconselha. ?
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